Após prisão perpétua por morte de namorada e fuga de cadeia nos EUA, Danilo Cavalcante vai a júri popular por outro assassinato

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Brasileiro foi alvo de uma caçada pelas autoridades norte-americanas em 2023. Durante a primeira audiência na Justiça do Tocantins ele ficou em silêncio e decidiu não participar. Danilo Sousa (à esq.) e Valter Júnior (à dir.)
Chester County Government e Arquivo Pessoal
Danilo Souza Cavalcante será julgado em júri popular pela morte de Valter Júnior Moreira dos Reis, de 20 anos. A decisão foi publicada pela Justiça do Tocantins nesta quarta-feira (15). O réu está preso nos Estados Unidos, onde cumpre pena de prisão perpétua pela morte da ex-namorada Débora Evangelista Brandão, de 38 anos.
Nos EUA, Danilo conseguiu fugir da prisão no estado da Pensilvânia escalando paredes, em 2023. Após 14 dias, foi encontrado pelas autoridades norte-americanas após uma verdadeira caçada.
Em abril deste ano foi realizada a primeira audiência de Danilo no Tocantins pela morte de Valter Júnior. Ele foi intimado e chegou a conversar com um defensor público, mas preferiu ficar em silêncio e não participou da videoconferência.
Segundo o Tribunal de Justiça, a sessão seguiu com os depoimentos das testemunhas, que o apontaram como autor do assassinato. Após a audiência o Ministério Público pediu a pronúncia – que Danilo seja levado a júri popular – e a defesa requereu direito de apresentar sua tese de defesa para os jurados.
Condenado à prisão perpétua por matar a ex-namorada, o brasileiro Danilo Cavalcante fugiu de cadeia nos Estados Unidos
Montagem/g1
O juiz Jossanner Nery Nogueira Luna, titular da Vara Especializada no Combate à Violência contra a Mulher e Crimes Dolosos contra a Vida de Gurupi, decidiu que Danilo Sousa Cavalcante será submetido ao Júri, por homicídio duplamente qualificado.
Segundo a decisão do juiz, o crime foi praticado por motivo torpe, pois foi motivado por uma suposta dívida que a vítima tinha com ele, referente ao conserto de um veículo.
Outra qualificadora foi utilizar recurso que dificultou/impossibilitou a defesa de Valter Júnior. “No caso, o acervo probatório indica, em princípio, que o ofendido fora surpreendido, uma vez que foi alvejado ‘à queima roupa’, de forma repentina, dificultando sua reação”, diz a decisão.
Ainda não há uma data marcada par ao julgamento em júri popular. A pena máxima para homicídio qualificado no Brasil pode chegar a 30 anos de prisão.
Valter Júnior foi assassinado em 2017, em Figueirópolis
Reprodução/Arquivo Pessoal
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Morte no Brasil e caçada
Valter Júnior Moreira dos Reis passou a receber ameaças de Danilo Souza Cavalcante poucos dias antes de ser morto. Testemunhas afirmaram que eles eram amigos e o motivo da desavença seria porque Valter supostamente bateu o carro de Danilo e não conseguiu pagar o conserto.
Uma semana depois da morte de Valter em Figueirópolis, a Justiça acatou um pedido de prisão feito pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Danilo se tornou foragido no Brasil. Ele responde por homicídio duplamente qualificado.
Danilo Cavalcante depois de ser encontrado pelos agentes de policia dos EUA
Matt Rourke/AP
Em janeiro de 2018, ele conseguiu embarcar para os Estados Unidos pelo aeroporto de Brasília (DF). Isso porque o mandado de prisão do processo, que corre no Fórum de Gurupi, ainda não havia sido registrado no banco nacional de mandados. Ou seja, a informação sobre o crime ainda estava disponível somente para as autoridades tocantinenses.
Em nota o TJ informou que a prisão preventiva do acusado foi proferida no dia 13 de novembro de 2017 e na mesma data enviada à Polícia Civil para seu cumprimento, entretanto o acusado já tinha fugido do Tocantins. Sobre o registro do mandado no banco nacional de prisão, disse que a ferramenta, disponível desde 2011, só em 2018 foi oficializada.
Danilo é natural do Maranhão. Mudou para o Tocantins com parentes para e chegou trabalhar como lavrador. Débora Brandão, ex-companheira do foragido, é do mesmo estado. Ela vivia regularmente no estado norte-americano da Pensilvânia, onde eles se conheceram. Ele estava ilegal nos EUA.
Nos EUA, Débora foi esfaqueada 38 vezes por Danilo na frente dos dois filhos no dia 18 de abril de 2021. Segundo as investigações, ele não aceitava o fim do relacionamento e desde 2020, ameaçava a vítima.
Danilo Sousa Cavalcante não aceitava o fim do relacionamento com Débora Evangelista Brandão
Montagem/g1
Danilo foi preso quando estava no estado da Virgínia, uma hora depois de matar Débora. A condenação para prisão perpétua aconteceu uma semana antes da fuga, em agosto de 2023.
A fuga de Danilo aterrorizou moradores das regiões próximas a Phoenixville, Pensilvânia, que avistaram o criminoso.
Armado de um rifle, ele invadiu casas, roubou uma van com a chave dentro, trocou tiros com moradores locais, se escondeu na mata e mudou a aparência para não ser reconhecido. Ele foi capturado pelas autoridades em setembro.
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Fonte: G1 Tocantins