O que pode levar alguém a ‘stalkear’ outra pessoa? Psicóloga explica comportamento que é crime

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Perseguição exagerada e obsessiva causa inúmeros transtornos às vítimas e pode dar cadeia. Psicóloga explica sobre as características de uma pessoa que tem comportamento perseguidor
Muito além daquela olhadinha nos perfis de redes sociais de uma pessoa, a perseguição de forma online ou presencial se caracteriza pelo comportamento repetitivo. Isso é considerado crime e pode até virar doença, como explica a psicóloga Caroline Penido.
No Tocantins, um homem de 40 anos foi condenado a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de R$ 14,8 mil por stalkear – perseguir de forma obsessiva – a ex-companheira. Ele também fez ameaças afirmando que publicaria fotos íntimas da vítima nas redes sociais. A sentença é da 2ª Vara de Augustinópolis, no Bico do Papagaio.
A partir da recusa da mulher, a investigação descobriu que o homem passou a invadir as redes sociais e e-mail da ex-companheira. Para stalkear a mulher, passou a criar contas falsas para fazer amizade com ela em aplicativos.
Pela internet ele enviou fotos e vídeos que mostravam relações sexuais entre os dois e ameaçou publicar o conteúdo íntimo nas redes. Com a ameaça, a vítima procurou a Polícia Civil. O nome do réu não foi divulgado, por isso o g1 não conseguiu contato da defesa.
Da mesma forma que aconteceu nesse caso, a psicóloga comenta que geralmente o “stalking” reflete em outras condutas. “Não é apenas vigiar a rede social da pessoa, é quando ela ultrapassa os limites, começa a querer pegar o telefone da pessoa, ligar insistentemente, perseguir os colegas, tentar sempre um meio de comunicação invasivo, e quando é rejeitado, isso potencializa”, exemplifica.
Outro fator que pode potencializar o comportamento de um stalker é justamente a falta de abertura da vítima. “O fato de estar sendo rejeitado provoca [o stalker], porque ele acredita que a vítima […] é propriedade dele, então ele quer que a pessoa dê atenção”, comenta.
Em contrapartida, a psicóloga afirma que responder às mensagens de um stalker reforça o comportamento perseguidor. O ideal é buscar ajuda.
A pessoa com comportamentos de stalker tende a não reconhecer em si mesma essas características, mas é possível buscar ajuda com terapia e até mesmo tratamento medicamentoso para controlar os sintomas. “Acaba sendo uma doença, porque a pessoa ultrapassa todos os limites”, afirma a psicóloga.
Stalker
Reprodução/Globo
Quando vira crime
Perseguir uma pessoa online ou no mundo físico pode dar cadeia. Em abril de 2021, foi sancionada uma lei que incluiu no Código Penal o crime de perseguição, conhecido também como “stalking” (em inglês).
A pena para quem for condenado é de 6 meses a 2 anos de prisão, mas pode chegar a 3 anos com agravantes, como crimes contra mulheres.
Na prática, o crime de “stalking” digital se dá quando a tentativa de contatos é exagerada: o autor passa a ligar repetidas vezes, envia inúmeras mensagens, faz inúmeros comentários nas redes sociais e cria perfis falsos para driblar eventuais bloqueios.
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Fonte: G1 Tocantins